Discurso de Geraldo Alckmin na noite de 1° de outubro de 2006, após a apuração dos votos da eleição presidencial de 2006 (não sem umas boas doses de vinho e a inspiração do genial discurso de Fernando Vanucci na final da Copa...)
"Alô você, alô Brasil! Chegando!
É você mesmo! Lula eleito presidente da república novamente! Com todos os méritos, com todas as justiças. É claro que... É claro que eu também estou inconformado... com você! Porque poderia ser, hoje, eu comemorando o título de presidente.
Se... Se é fácil perder... perder do jeito que nós perdemos... hein? Ainda é muito mais difícil. Mas muito mais difícil mesmo! É difícil perder sabendo que... a gente não pode esquecer! É difícil esquecer isso... tempo nós vamos ter para esquecer. Sem dúvida. Esta eleição presidencial de 2006 mas, por quatro anos, no mínimo, ela vai ficar aqui com a gente, e talvez para sempre, 2002, que jamais foi esquecida pelo grande favoritismo do PSDB e pelo desastre no final da era FHC.
Agora na hora que o povo decidiu não me apoiar, isso é verdade, mas muita verdade, não teve espetáculo e o resultado poderia ser o que aconteceu exatamente. Agora é hora de reverenciar Lula, Bolsa Família, Pró-Uni... ahhh, Marcola, me ferrou legal!
Para nós, é hora da gente pensar no futuro... o futuro. É hora da gente reformular... reformular... é hora da gente mudar ou... mudar de vez. Vamos colocar o castelo de areia abaixo! Abaixo! E iniciar uma construção sólida para 2010. Eleições 2010. Brasília também não é... assim... tão longe. É logo ali. Caso contrário, continuará havendo comida pro povão."
Obs.: Para quem não viu, segue o link do video do Vanucci: http://youtube.com/watch?v=rmqcCO-nu4A
Escrito por Peter Schlemihl às 19h50
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Frase do dia:
"Voltando à vaca fria..."
- Médico legista, retornando após a pausa para o cafezinho à autopsia de Lu Alckmin que recebera 40 tiros num ataque do PCC
Escrito por Peter Schlemihl às 19h13
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Palhaço - anônimo italiano
Quando eu era jovem, eu pensava que com a arte seria possível mudar o mundo.
Eu buscava constantemente um espetáculo que pudesse despertar no coração do público uma esperança.
Eu queria mostrar uma maneira diferente de viver, com mais amizade, criatividade, sem a obrigação de perseguir o dinheiro e o poder. Ilusão fútil que eu nunca consegui alcançar. Não só a revolução não chegou, como as pessoas se tornaram cada vez mais loucas e materialistas.
Quando eu me dei conta disto eu vivi momentos difíceis pensando, pensando inclusive que minha vida era um fracasso e que todo esforço era inútil.
Mas um dia eu tive uma revelação: se não se pode mudar o mundo, pelo menos é possível mudar a si mesmo, encontrar algo em seu coração, um desejo, uma necessidade e entregar-se totalmente a ele, sem olhar para trás. Isso não é para a sociedade ou para os outros, não, é para você mesmo.
E eu fazendo esse palhaço que eu sou, eu encontrei essa coisa. Provocar, burlar e fazer o público rir. Isso era tudo o que eu buscava em minha vida. Por certo eu não mudava o mundo, mas os palhaços nunca mudaram o mundo, passam o tempo tentando sem nunca conseguir, por isso são palhaços.
Os palhaços gostam do fracasso e das ações ineficazes, são perdedores alegres e isto é a verdadeira força que têm, nunca se cansam de perder. Desfrutam de cada fracasso e voltam em seguida a fracassar de novo, diluindo assim as certezas das pessoas sérias e que nunca duvidam.
Então, esse sangue que pareço ter na minha cabeça, esse sangue que tenho sobre a minha camisa, esse sangue que tenho no meu coração, esse sangue que está todo em mim é tão patético e inútil em seu simbolismo porque é sangue de um palhaço. Um sangue que não vem de uma grande luta ou em nome de uma causa heróica. É sangue de brincadeira, ao mesmo tempo verdadeiro e pouco importante.
Escrito por Evandro às 01h57
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O primeiro relato da queda de um demônio
Há muito, muito tempo, quando a união dos continentes ainda formava um enorme waffle flutuante chamado Pangea, havia na região que hoje chamamos América do Sul um belo jardim chamado Éden*. Um lindo querubim caminhava sobre pedras preciosas entre as árvores frondosas daquele oásis. Ele estava muito orgulhoso de si mesmo pois há pouco havia se emancipado e adquirido sua independência financeira. Seu nome era Lúcifer e se ocupava em realizar palestras sobre auto-ajuda, nas quais discursava acerca de seus temas favoritos: "Como construir seu trono sobre as estrelas", "Seja uma divindade em 666 horas" e "Tenho potencial para ser o Chefe". Luci (como era chamado Lúcifer pelos amigos íntimos, principalmente o jocoso Azazel) trabalhava também na compilação de seus ensinamentos na forma de livro, mas sofria com as interferências de seu editor, que considerava ser o próprio diabo. Enquanto vagueava pelo jardim divagando em pensamentos de grandeza e feliz pela invenção de seu mais novo método para encarnação em serpente, Lulu (como era chamado Lúcifer pelos amigos íntimos, principalmente o jocoso Azazel) não observou que havia no chão, entre um topázio e um jaspe, uma casca de banana lançada ali por um ser chamado Adão que acabara de fazer uma grande besteira ao subir na bananeira e comer desse fruto num ‘paraíso tropical’ . Andando com suas asas recolhidas de forma desavizada e imprudente numa dimensão sujeita à gravidade, Lu (como era chamado Lúcifer pelos amigos íntimos, principalmente o jocoso Azazel) escorregou no que sobrou do fruto proibido e sofreu uma queda patética, estatelando a testa no chão e gerando dois galos enormes na fronte que mais pareciam chifres. A ‘terça parte’ dos anjos que observava tudo de um local privilegiado, caiu de rir. O homem, que após seu ato de desobediência estava sujeito à morte, morreu de rir. A mulher que havia primeiro provado a banana, sentiu dores de parto de tanto rir. A serpente que acabara de perder seus braços e pernas e andava em zigue-zague, se contorcendo devido a uma hemorróida que não tinha meios para coçar, exclamou em meio às gargalhadas: - Esse filho da puta bem merecia isso depois de me colocar nessa fria! Coce meu cu com esse tridente, bastardo, hahahahahahahaha!
O querubim se levantou e bateu a poeira de sua roupa escarlate. Ajeitou sua linda cabeleira. Levantou seu habitual olhar imponente e esnobe. Olhou para todos com a impáfia de um leão que observa hienas ensandecidas e murmurou: - Esse paraíso precisa de um choque de gestão.
Isso é tudo o que sei sobre o primeiro relato da queda de um demônio.
* Teólogos yankees acreditam que o tal jardim, também conhecido como Paraíso, se localiza na região da Mesopotâmia, no Oriente Médio. Tal crença originou uma recente cruzada em busca das riquezas do Éden, inundando de hordas ocidentais o território entre o Tigre e o Eufrates. Segundo a cabeça de um empresário americano que foi separada do corpo durante essa empreitada, embora exista no local muito conhecimento sobre o bem e o mal, algumas serpentes peçonhentas, muitos frutos proibidos, espadas flamejantes, alguns animais ainda não nomeados pelo homem e sujeitos nus sendo surrados por uma série de diabos, nada disso faz esse Éden se parecer com o paraíso narrado no Gênesis de Moisés. Obviamente, pura precipitação de uma cabeça decepada que no momento em que conheceu o fio da espada ainda não sabia que o barril de fruto proibido já havia passado dos 50 dólares.
Escrito por Evandro às 00h08
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Um simples furto
Vinte de fevereiro de 2006. Ótimo dia para começar uma vida de crimes. Não sei se inicio com alguns pequenos furtos, levando 1 ou 2 minutinhos de uns tantos miseráveis que percorrem essas vielas virtuais buscando diversão fácil e barata. Sacada e tirada curta. Bang. Sorriso ligeiro. Isso parece Seinfeld. Esse já era.
Se eu estiver com apetite, talvez encare logo uns 15 minutos. Têm muita gente por aí com tempo de sobra e nenhuma aplicação rentável pra fazer. A internet já virou um centro velho, só oferece jogos, prostitutas e mercadorias de segunda mão. Privacidade ou tempo de menos e medo de sobra da esposa ou dos pais, privam muita gente boa e má intencionada de frequentar esses novos inferninhos da informática. Muitos desses pobres ou hipócritas que se afugentaram do centro velho, estão se enfurnando na periferia da web, nesses guetos e cortiços imundos chamados Orkut, Gazzag, MSN Groups entre outros, onde os segredinhos sórdidos da discreta esposa do vizinho e a real opção sexual dos filhos estão a um clique de distância. É difícil tirá-los daí. Nelson Rodrigues se divertiria muito com o Orkut.
De qualquer forma, entrar no banco de horas dessa gente e roubar um tempinho razoável exige trabalho árduo. Talvez até mestres do crime como Alexandre Dumas e Balzac tivessem dificuldade para afanar essa corja. Em se tratando desse simples batedor de carteiras temporais, é quase impossível. Que a grande ansiedade coletiva pela mediocridade traga e trague leitores perdidos para esse mocó de palavras.
Escrito por Evandro às 21h51
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